Latest · January 18, 2022 0

Basquetebol: No Brasil, onde o futebol reina, a NBA faz incursões constantes, Basketball News & Top Stories

SÃO PAULO (AFP) – Para grande parte do Brasil, o futebol continua sendo quase uma religião. Mas o espetáculo, o glamour e a qualidade do jogo na NBA estão tornando o basquete o esporte preferido de um número cada vez maior de fãs – homens e mulheres.

Emiliana Ramos se apaixonou pela National Basketball Association (NBA) na década de 1990, durante o auge das lendas do Chicago Bulls, Michael Jordan e Scottie Pippen, que jogaram jogos de exibição no Brasil.

Agora, aos 42 anos, Ramos – gerente de produto de uma empresa de tecnologia em São Paulo – decide a cada temporada para qual time ela vai torcer e qual jogador será seu favorito.

“O basquete é tratado como um show: é um produto geral, então chama a atenção porque é mais do que o jogo – há todo o lado do marketing, as camisas. É um pouco como o futebol no Brasil”, disse Ramos à AFP em um clube esportivo no norte da megacidade, onde ela própria joga basquete.

Alguns de seus companheiros de Fulaninha, um time amador, estão vestindo camisas dos Lakers ou roupas genéricas da NBA. Ramos usa o número 1 usado por Zion Williamson, a estrela do New Orleans Pelicans.

Assim como Ramos, milhares de novos fãs no Brasil – normalmente mais associados a Pelé do que LeBron James – estão sintonizando os jogos da NBA a cada temporada.

No primeiro trimestre de 2021, a NBA teve 45 milhões de torcedores no Brasil, um aumento de 31% em relação ao número divulgado no início de 2019, segundo dados compilados pelo Ibope Repucom.

Já houve mais de uma dúzia de brasileiros jogando na principal liga dos EUA desde sua criação em 1946, mas nenhum deles é uma estrela por si só. Um deles, Didi Louzada, toca com Williamson em Nova Orleans.

Mas Rodrigo Vicentini, principal representante da liga no Brasil, diz que o gigante latino-americano se tornou o “segundo mercado prioritário da NBA” no exterior depois da China.

O Brasil é “extremamente importante e muito estratégico tanto para a liga quanto para o desenvolvimento do esporte”, disse Vicentini à AFP.

“Vamos continuar crescendo aqui, ao lado da religião do futebol.”

A NBA chegou oficialmente ao Brasil em 2004, com o objetivo de construir uma base de fãs no país de 213 milhões de pessoas. A seleção nacional conquistou algumas vitórias notáveis, incluindo uma sobre a equipe dos EUA nos Jogos Pan-Americanos em 1987 para ganhar o ouro.

Desde então, jogos amistosos foram organizados entre os dois times, lojas e escolas de basquete foram abertas, acordos de cooperação foram alcançados com a principal liga masculina do Brasil e mais jogos da NBA são transmitidos aqui.

O resultado? O crescimento constante da popularidade da liga, que Vicentini diz ser impulsionado pelo amor dos brasileiros pelos esportes em geral, pelo interesse das gerações mais jovens em seguir mais de um esporte e pela imagem da NBA como uma marca aspiracional.

Na avenida Paulista, no centro de São Paulo, ou na Praia de Copacabana, no Rio, não é incomum ver pessoas vestindo camisas, camisetas ou bonés com os números e cores de grandes nomes da NBA como James, Stephen Curry ou o falecido Kobe Bryant.

“Muitos deles não sabem quem é LeBron James, então por que estão vestindo seus shorts? Porque são uma forma de recriar seu visual”, diz Vicentini.

Estrelas do futebol como Neymar do Brasil ou Lionel Messi da Argentina também ajudaram a quebrar barreiras usando equipamentos de basquete.

Alana Paludo Chiochetta, que tem 26 anos e é alta, usa uma camiseta de James na cor roxa do Lakers – “King James” é frequentemente comparado a Jordan quando os fãs estão debatendo quem é o maior jogador de basquete de todos os tempos.

Chiochetta, que é paranaense, lembra quando o viu jogar pelo Miami Heat durante uma viagem aos Estados Unidos em 2011. Agora, ela acompanha sua carreira de longe, mas veste as cores do time enquanto joga pelo Fulaninha.

Grande fã do esporte desde os 10 anos, Chiochetta acompanha os play-offs da NBA todos os anos. “Eu entrei nisso e não consegui parar”, diz ela.

Ela faz parte de um fenômeno particularmente brasileiro: as mulheres representam quase metade (45%) da base de fãs da NBA no país e tendem a se envolver mais profundamente, com mais conhecimento do jogo e das regras do que os fãs do sexo masculino, diz Vicentini.

“É um número que exige atenção. Tradicionalmente, os homens têm sido os principais espectadores e fãs”, disse o representante da NBA, acrescentando que não soube explicar como o fenômeno aconteceu.

As mulheres da família de Pedro Nunes, que joga no time de basquete Corinthians de São Paulo, antes assistiam apenas ao futebol. Agora, eles também assistem seu esporte.

“Tem muita gente assistindo a NBA. Estou cada vez mais impressionado com isso”, diz Nunes. “Muitos deles nunca jogaram basquete, mas agora vêm falar comigo sobre isso. Às vezes eles sabem mais do que eu.”

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